Fracasso de Borderlands reacende debate: certas histórias funcionariam melhor como séries de TV?
25 Novembro 2025A indústria cinematográfica foi sacudida recentemente por uma estreia que pode ser classificada, sem exageros, como catastrófica. A adaptação da famosa franquia de videogames “Borderlands” chegou aos cinemas enfrentando uma rejeição massiva, tanto do público quanto da crítica especializada, levantando questões sobre o formato ideal para narrativas complexas e universos expandidos.
O naufrágio financeiro de Borderlands
Os números iniciais são alarmantes para o estúdio. Em seu primeiro fim de semana, o longa-metragem arrecadou apenas US$ 16,7 milhões nas bilheterias. O valor é irrisório se considerarmos que a produção custou cerca de US$ 115 milhões, somados a despesas de marketing e distribuição que giram em torno de US$ 30 milhões. Fontes ligadas ao estúdio relataram à Variety que, embora 60% dos custos de produção tenham sido cobertos por pré-vendas internacionais, o desempenho final ficou muito abaixo até mesmo das expectativas mais pessimistas.
A recepção crítica foi igualmente gélida. No agregador Rotten Tomatoes, “Borderlands: O Destino do Universo Está em Jogo” amarga uma média de 9% de aprovação geral da crítica e 50% entre espectadores verificados. O cenário torna-se ainda mais desolador ao filtrarmos apenas os principais críticos, onde a aprovação cai para 0%. Se considerarmos todos os comentários, incluindo usuários não verificados, a nota da audiência despenca para 38%. Esse desempenho levanta uma discussão pertinente: será que duas horas de tela são suficientes para adaptar universos ricos, ou estamos insistindo no formato errado?
Quando o cinema limita a narrativa
Não é raro sairmos de uma sessão com a sensação de que a história precisava de mais tempo para respirar. Seja uma fantasia épica ou uma ficção científica vasta, há tramas que imploram pelo tratamento televisivo, onde o desenvolvimento de personagens e a construção de mundo podem se estender por temporadas, e não minutos.
Duna: O gigante literário
Mesmo com a aclamada visão de Denis Villeneuve, fãs da obra de Frank Herbert sabem que há material de sobra que ficou de fora. A Warner Bros. tinha em mãos a oportunidade perfeita de preencher o vácuo deixado por “Game of Thrones” transformando a saga original em uma série de alto orçamento. Estamos falando de seis livros que totalizam mais de 2.500 páginas. Uma adaptação seriada permitiria explorar a complexidade política e filosófica de Arrakis por anos, sem a necessidade de criar conteúdo “filler”, utilizando apenas a densidade do material original.
Eternos e o desafio do elenco numeroso
O Universo Cinematográfico Marvel enfrentou críticas após “Vingadores: Ultimato”, muitas vezes transformando o entretenimento em “lição de casa”. No entanto, o caso de “Eternos” é específico: a história deveria ter sido uma série. Tentar introduzir 10 protagonistas, com uma mitologia que abrange milênios, em um único filme resultou em uma narrativa apressada. O formato episódico teria permitido que cada Eterno tivesse seu momento de destaque, conectando o público de forma mais eficaz com suas histórias individuais e talvez oferecendo uma explicação mais satisfatória para o celestial petrificado no Oceano Índico.
Assassinos da Lua das Flores e a questão da duração
Martin Scorsese é um mestre incontestável, mas seu épico de 2023 testou a resistência das bexigas do público. Com três horas e meia de duração, o filme supera clássicos do próprio diretor como “Os Bons Companheiros” e “Cassino”. A narrativa densa poderia ter se beneficiado de uma estratégia híbrida: um corte mais enxuto para os cinemas e uma minissérie de cinco ou seis horas para o streaming da Apple. Isso teria permitido um mergulho ainda mais profundo na tragédia Osage, mantendo a viabilidade comercial das salas de exibição.
A Torre Negra: Uma oportunidade perdida
Talvez o exemplo mais doloroso de potencial desperdiçado seja a adaptação de “A Torre Negra”, de Stephen King. A Sony tentou condensar uma saga de oito livros complexos, que mistura faroeste, fantasia e ficção científica, em um filme curto de 2017. O resultado foi um fracasso de bilheteria — apenas US$ 113 milhões mundialmente — e críticas mornas. A mistura de gêneros e a vastidão do mundo criado por King são talhadas para a televisão, onde o público está mais disposto a embarcar em jornadas longas e estranhas do que ao pagar um ingresso caro de cinema para uma experiência resumida.

