O Terror em Foco: A Trajetória de Mia Goth e o Futuro da Franquia Extermínio

O Terror em Foco: A Trajetória de Mia Goth e o Futuro da Franquia Extermínio

16 Janeiro 2026 Não Por Edvaldo Ferreira

O cinema de gênero vive um momento peculiar de renovação e celebração de seus ícones. Nesta quarta-feira, dia 25, a britânica Mia Goth completou 30 anos, consolidando-se indiscutivelmente como a nova “namoradinha do terror” de Hollywood. Sua carreira, marcada por escolhas ousadas desde a estreia em Ninfomaníaca (2013), atingiu o ápice com a aclamada trilogia “X” de Ti West. No entanto, enquanto celebramos o impacto de Goth, o horizonte do gênero se expande com novidades exclusivas sobre The Bone Temple, a aguardada sequência de Extermínio, que traz de volta nomes de peso como Cillian Murphy e a direção de Nia DaCosta.

O Ranking Definitivo de Mia Goth

Para celebrar as três décadas da atriz, o Rotten Tomatoes compilou a recepção crítica de sua filmografia. O resultado é uma prova da consistência de Goth em escolher papéis desafiadores.

No topo da lista, com impressionantes 96% de aprovação, está O Sobrevivente (2015). A trama pós-apocalíptica apresenta um homem que vive isolado em uma fazenda, cuja existência é ameaçada pela chegada de duas mulheres em busca de abrigo. Logo em seguida, aparece o filme que solidificou seu status atual: X – A Marca da Morte (2022), com 94%. Ambientado em 1979, o longa acompanha cineastas que tentam gravar um filme adulto no Texas, mas acabam lutando pela sobrevivência contra anfitriões idosos e perturbadores.

A prequela Pearl (2022) surge colada ao seu antecessor, com 93%. O filme explora a origem da vilã, mostrando seus sonhos de estrelato e como a repressão na fazenda desencadeou seus instintos assassinos. Curiosamente, Goth também brilha fora do terror puro. Em Emma (2020), que detém 86% de aprovação, ela participa da sátira social baseada na obra de Jane Austen, onde a protagonista precisa amadurecer em meio a erros românticos.

Com a mesma pontuação de 86% aparece Piscina Infinita (2023). Neste thriller perturbador, Alexander Skarsgård interpreta um romancista que, após um acidente fatal durante as férias, descobre o lado sombrio e hedonista do resort onde está hospedado. Já a ficção científica High Life (2018), com 82%, coloca criminosos em uma missão espacial suicida em busca de energia alternativa, atingidos por uma tempestade de raios cósmicos.

A lista segue com o remake de Suspiria (2018), que dividiu opiniões e ficou com 65%. A trama envolve uma companhia de dança renomada que esconde segredos obscuros. A estreia de Goth, Ninfomaníaca (2013) de Lars von Trier, aparece com 59%, narrando a destruição familiar causada pela compulsão da protagonista.

Encerrando o ranking, temos produções com recepção mais morna: Mayday (2021), com 53%, onde a personagem Ana é transportada para uma guerra onírica; Marrowbone (2017), com 49%, focado em quatro irmãos que escondem a morte da mãe em uma casa cheia de segredos; e, por fim, A Cura (2016), com 42%, um thriller psicológico ambientado em um misterioso centro de bem-estar nos Alpes suíços.

A Expansão do Universo de Extermínio

Enquanto a filmografia de Mia Goth revisita o terror psicológico e o slasher, o universo dos zumbis — ou infectados pela raiva — prepara seu retorno triunfal. Após o sucesso de crítica e público de 28 Years Later (ainda inédito no Brasil como título oficial, mas sequência direta da franquia Extermínio), que surpreendeu ao trazer profundidade emocional ao gênero, as atenções se voltam para sua continuação direta: The Bone Temple.

Filmado simultaneamente com seu antecessor, o novo longa traz uma mudança na cadeira de direção. Danny Boyle passa o bastão para Nia DaCosta, cineasta responsável por A Lenda de Candyman e As Marvels. O filme promete ser uma daquelas raras sequências que superam o original, apoiando-se em atuações que beiram o nível de premiações, especialmente a de Ralph Fiennes. Ele interpreta o Dr. Kelson, um sobrevivente de longa data da pandemia de raiva e arquiteto do monumento que dá nome ao filme.

Embora a espinha dorsal da narrativa continue sendo a história de Spike (Alfie Williams), a trama se aprofunda no conflito entre Kelson e o vilão monstruoso Sir Lord Jimmy Crystal, vivido por Jack O’Connell. Crystal é descrito como um líder de seita maníaco, cujos seguidores vestem agasalhos esportivos em uma estética perturbadora. Os dois personagens representam ideologias opostas neste mundo despedaçado: a ordem gentil e o pacifismo de Kelson contra o caos anárquico e a ultra violência de Crystal. O confronto é inevitável e sangrento, envolvendo experimentos para a cura do vírus com um “zumbi alfa”.

O Retorno de Cillian Murphy e a Liberdade Criativa

O ponto alto da expectativa para The Bone Temple, contudo, reside em seu epílogo. A diretora Nia DaCosta confirmou o retorno muito aguardado de Cillian Murphy ao papel de Jim, personagem que o lançou ao estrelato há mais de duas décadas. Segundo DaCosta, Jim ainda está na casa de campo vista no final do primeiro filme, preso como o restante da população do Reino Unido.

Em entrevista recente, a diretora revelou sua reação ao ler o roteiro: “Como fã do primeiro filme, fiquei completamente sem palavras, chocada por ser a pessoa a dirigir o retorno dele”. Ela enfatiza que a abordagem não será a de um herói de ação genérico. A cena descreve Jim fazendo chá e torradas para sua filha, ensinando-lhe história, mantendo a narrativa “pé no chão” e humana.

Apesar de ser um filme de estúdio com orçamento robusto — tecnicamente uma produção independente adquirida pela Sony após a conclusão —, DaCosta destacou a liberdade criativa que teve. Ao contrário de sua experiência na engrenagem da Marvel, ela sentiu que Danny Boyle e Alex Garland, produtores e criadores da franquia, permitiram que ela imprimisse sua visão autoral. “Eles tinham opiniões fortes, mas sempre deixavam claro que a decisão final era minha”, afirmou a diretora.

Com o terror em alta, seja pela consagração de novos ícones como Mia Goth ou pela revitalização inteligente de clássicos modernos sob a ótica de novos diretores, o público tem motivos de sobra para manter os olhos — bem abertos e atentos — nas telas nos próximos anos.