‘Zootopia 2’ desbanca dinossauros de Chris Pratt e entra para a história das maiores bilheterias do cinema

‘Zootopia 2’ desbanca dinossauros de Chris Pratt e entra para a história das maiores bilheterias do cinema

19 Janeiro 2026 Não Por Claudinei Silva

Embora as manchetes do último mês tenham sido dominadas pelo lançamento de Avatar: Fogo e Cinzas, de James Cameron, é outra produção da Disney que silenciosamente tomou a coroa de filme de maior bilheteria de 2025. Zootopia 2, a aguardada sequência da animação, continua liderando as paradas globais à frente de Avatar 3, mesmo após dois meses em cartaz. Em seu oitavo fim de semana de exibição, o longa alcançou seu feito mais impressionante até o momento: invadiu a lista das 10 maiores bilheterias da história do cinema mundial.

Para garantir esse lugar no panteão de Hollywood, a animação ultrapassou três gigantes da indústria, incluindo o sucesso do ano passado, Divertida Mente 2, e o remake de O Rei Leão de 2019. Mais notavelmente, Zootopia 2 superou os US$ 1,67 bilhão arrecadados por Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, o reboot da franquia de ficção científica estrelado por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard em 2015. Com uma arrecadação doméstica beirando os US$ 400 milhões e impressionantes US$ 1,2 bilhão vindo dos mercados internacionais, o acumulado global do filme agora soma US$ 1,703 bilhão.

O fenômeno chinês e a recepção crítica

Grande parte desse sucesso avassalador deve-se ao desempenho extraordinário na China. Enquanto Hollywood frequentemente lamenta a perda de força de seus filmes no mercado chinês, Zootopia 2 provou ser a exceção à regra, arrecadando mais de US$ 600 milhões (cerca de US$ 618,9 milhões) apenas naquele país. O filme tornou-se o lançamento de animação da MPA (Motion Picture Association) de maior bilheteria de todos os tempos na região. Analistas apontam que o sucesso se deve a uma combinação de fatores culturais, incluindo a popularidade da franquia nos parques temáticos e a superstição local sobre a sorte trazida pelo coelho. Além da China, o filme liderou bilheterias em mercados importantes como Japão e França.

Diferente de Jurassic World, que apesar do sucesso financeiro recebeu críticas mistas — com 72% de aprovação no Rotten Tomatoes e um consenso de que não superou a inventividade do original —, Zootopia 2 conquistou tanto o público quanto a crítica. A produção ostenta um selo “Certified Fresh” com 91% de aprovação, elogiada por adicionar camadas inteligentes e mensagens reflexivas a uma trama policial envolvente, solidificando Judy Hopps e Nick Wilde como uma das duplas mais cativantes dos últimos tempos. O filme custou cerca de US$ 150 milhões para ser produzido, um investimento que já se pagou múltiplas vezes.

Recordes e o cenário das animações

Atualmente, Zootopia 2 detém o título de filme de animação de Hollywood de maior bilheteria de todos os tempos, superando Divertida Mente 2 (US$ 1,69 bilhão). No cenário global absoluto, ele fica em segundo lugar apenas atrás do fenômeno chinês Ne Zha 2, que arrecadou astronômicos US$ 2,259 bilhões. A produção da Disney também quebrou recordes de velocidade, sendo a animação da MPA (classificação PG) mais rápida a atingir a marca de US$ 1 bilhão globalmente. O filme estreou durante o feriado de Ação de Graças com uma abertura recorde de US$ 559,5 milhões em cinco dias, consolidando-se como a maior estreia global de uma animação na história.

Incertezas para Avatar e tropeços no terror

Enquanto a raposa e a coelha celebram, a situação é mais tensa para os Na’vi de Pandora. Avatar: Fogo e Cinzas acumula US$ 1,319 bilhão mundialmente após cinco semanas. Embora seja um valor exorbitante para a maioria dos estúdios, o desempenho está aquém de seus predecessores — o primeiro Avatar (US$ 2,9 bilhões) e O Caminho da Água (US$ 2,3 bilhões). James Cameron ainda não confirmou definitivamente a produção de Avatar 4 e 5, e analistas questionam se os números atuais serão suficientes para convencer a Disney a seguir com a saga, dados os custos de produção estratosféricos.

Outro ponto de atenção nas bilheterias é o desempenho fraco de Extermínio: O Templo dos Ossos (28 Years Later: The Bone Temple). A sequência de terror arrecadou apenas US$ 31,2 milhões em sua estreia mundial, um número preocupante, especialmente considerando que o filme anterior da franquia, lançado há apenas sete meses, abriu com US$ 30 milhões apenas na América do Norte. Apesar das boas críticas, o lançamento próximo ao capítulo anterior pode ter saturado o público. A Sony, no entanto, já confirmou o desenvolvimento de um terceiro filme para a nova trilogia, possivelmente com Danny Boyle na direção.

Em contrapartida, o cinema independente e de médio orçamento respira aliviado. O thriller The Housemaid mostrou uma resistência notável, atingindo US$ 247,3 milhões em sua quinta semana, impulsionado pelo boca a boca positivo. Já a produtora A24 celebra um novo marco com Marty Supreme, que atingiu US$ 99,5 milhões globais, tornando-se a maior bilheteria do estúdio na América do Norte com US$ 80 milhões, ultrapassando o recordista anterior, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo.